913 166 782 Chamada ou WhatsApp

Marcar consulta →
Marcar

Quando começar ortodontia na criança? Sinais que não convém ignorar

Mordida cruzada, apinhamento, respiração pela boca, perda precoce de dentes de leite: sinais que justificam uma consulta de ortodontia infantil. A primeira avaliação faz-se aos 4 anos.

Equipa do Instituto · · 5 min de leitura

Ortodontia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Criança sentada na cadeira do dentista, vista de costas, a olhar para a janela

«Está cedo demais?» «Não é melhor esperar cair tudo o que tem de cair?» São das perguntas mais frequentes na consulta de ortodontia infantil. A resposta curta é que alguns problemas se resolvem de forma mais simples quando intervimos cedo, mesmo antes da troca completa dos dentes de leite. No Instituto, a primeira avaliação faz-se aos 4 anos, para avaliação de ortopedia funcional dos maxilares. Este artigo explica porquê e que sinais tornam essa avaliação mais urgente.

Porque é que avaliar cedo faz diferença

Aos 4 anos os dentes de leite estão completos e o crescimento dos maxilares ainda é orientável. É a altura de avaliar a forma como os maxilares crescem e encaixam, a respiração e os hábitos de sucção: é a isso que se chama ortopedia funcional dos maxilares. Mais tarde, na dentição mista (quando já nasceram os incisivos e os primeiros molares definitivos), é possível detetar problemas de espaço e de posição dos dentes sem esperar pela troca completa.

Em alguns casos, o crescimento joga a favor: uma mordida cruzada lateral causada por um palato estreito tende a corrigir-se de forma mais simples enquanto a sutura do palato ainda não amadureceu, o que varia muito de criança para criança. Mais tarde, continua muitas vezes a ser possível corrigi-la com aparelho, mas o tratamento pode ser mais exigente e, terminado o crescimento, alguns casos precisam de expansão apoiada em microparafusos ou em cirurgia. Nas mordidas cruzadas da frente, é essencial distinguir um problema de posição dos dentes, que normalmente se resolve com ortodontia, de um problema dos maxilares (classe III), em que só uma parte dos casos mais marcados vem a precisar de cirurgia, já na idade adulta. Cada caso é avaliado individualmente.

Avaliar cedo não significa tratar cedo. A maioria das crianças avaliadas cedo não inicia tratamento imediato: fica em vigilância ortodôntica com revisões anuais até ao momento certo. Mas há um conjunto de sinais que, quando presentes, justificam intervenção precoce.

7 sinais que justificam consulta de ortodontia infantil

  • Mordida cruzada: quando os dentes de baixo encaixam por fora dos de cima (à frente ou de lado). Pode causar desvio do crescimento da mandíbula se não corrigida.
  • Mordida aberta: os dentes de cima e de baixo não tocam à frente quando a boca fecha. Frequentemente associada ao hábito de chuchar no dedo ou usar chupeta tarde.
  • Mordida profunda: os dentes de cima cobrem quase totalmente os de baixo, traumatizando a gengiva.
  • Apinhamento marcado: falta de espaço evidente para os dentes definitivos que estão a nascer.
  • Respiração predominantemente pela boca: pode resultar de obstrução nasal ou hábito, e altera o desenvolvimento do palato.
  • Perda precoce de dentes de leite: sem mantenedor de espaço, os dentes vizinhos migram e bloqueiam a erupção do definitivo.
  • Hábitos de sucção que se prolongam: chupeta ou dedo, ou interposição da língua. O ideal é deixar a chupeta e o dedo até cerca dos 3 anos; se o hábito continuar depois dos 4 anos, vale a pena avaliar.

Ortopedia funcional dos maxilares: o que é

Antes do tratamento ortodôntico clássico (com aparelho fixo ou alinhadores), há uma fase intermédia chamada ortopedia funcional dos maxilares. Usa aparelhos removíveis personalizados que orientam o crescimento ósseo da criança: alargam o palato, reposicionam a mandíbula, corrigem mordidas. Em casos selecionados, esta fase pode simplificar o tratamento que vem depois.

Não substitui o aparelho fixo definitivo. Em alguns problemas, como a mordida cruzada, facilita a fase seguinte. Noutros, como os dentes da frente salientes, o resultado final é semelhante ao de tratar só na adolescência, mas o tratamento precoce reduz o risco de esses dentes partirem numa queda.

Aparelho fixo, alinhadores invisíveis ou removível?

A escolha depende da idade da criança, do problema a corrigir, e da capacidade de cooperação. Em fase de dentição mista, predominam aparelhos removíveis e ortopédicos. A partir dos 11-12 anos, com a maioria dos definitivos já presentes, entra-se na fase de tratamento ortodôntico fixo: aparelho com brackets ou alinhadores invisíveis. Os alinhadores adolescentes têm cada vez melhor indicação, mas exigem disciplina (20 a 22 horas por dia).

Quanto tempo demora um tratamento

Tratamentos ortopédicos precoces costumam durar 6-12 meses e são seguidos de uma fase de observação até à dentição definitiva. O tratamento ortodôntico clássico (já com a maioria dos dentes definitivos) varia entre 12 e 24 meses, dependendo da complexidade. Após o tratamento, a contenção (com placa noturna ou fio fixo) é para a vida: sem ela, os dentes tendem a desalinhar-se com o tempo.

Quando procurar acompanhamento médico

Mesmo sem nenhum dos sinais descritos acima, uma primeira avaliação aos 4 anos é uma boa prática. Em consulta avaliamos o crescimento, a oclusão, hábitos e padrão respiratório, e definimos se há indicação para iniciar agora, esperar, ou apenas vigiar. Na clínica em Paços de Ferreira a avaliação é feita pela Dra. Carolina Santos, responsável pela área de Ortodontia, que também acompanha o tratamento se necessário.

O que perguntar na primeira consulta

Aproveite a primeira consulta para perceber o caso da sua criança em concreto e não apenas o tema «ortodontia» em abstrato. Algumas perguntas úteis:

  • O que está a ser observado e o que preocupa de facto, por oposição ao que é só vigilância?
  • Há indicação para tratar agora ou esperar pela troca dentária? Que sinais específicos vão fazer mudar a recomendação?
  • Que exames adicionais se justificam (radiografia panorâmica, telerradiografia)?
  • Se tratar agora, qual é a fase 1 e quando entra a fase 2 (aparelho fixo definitivo)? Custo separado de cada uma.
  • O que precisa da criança em colaboração (uso de aparelho removível, exercícios)?

Mitos comuns que ouvimos em consulta

  • «Chuchar no dedo é só estética.» Não é bem assim. Quando o hábito é frequente e se prolonga para lá dos 3 a 4 anos, aumenta a probabilidade de a mordida abrir à frente e de o palato ficar mais estreito. Nem todas as crianças ficam com alterações, e muitas melhoram se o hábito parar cedo, mas justifica uma avaliação.
  • «Aparelho fixo só aos 12-13 anos.» A fase precoce com aparelhos ortopédicos pode evitar extrações e cirurgias mais tarde, em casos selecionados.
  • «Alinhadores invisíveis são só para adultos.» Existem versões para adolescentes com indicações específicas e taxas de sucesso comparáveis ao aparelho fixo, em casos adequados.
  • «Os dentes definitivos vão acomodar-se sozinhos quando os de leite caírem.» Em muitos casos sim, mas o ortodontista é quem decide, e não o pai ou o pediatra apenas pela observação visual.

Fontes

  1. American Association of Orthodontists (AAO). When should my child see an orthodontist? St. Louis: AAO.
  2. Batista KB, et al. Orthodontic treatment for prominent upper front teeth (Class II malocclusion) in children and adolescents. Cochrane Database Syst Rev. 2018;3(3):CD003452.
  3. Agostino P, et al. Orthodontic treatment for posterior crossbites. Cochrane Database Syst Rev. 2014;(8):CD000979.
  4. Doğramacı EJ, Rossi-Fedele G. Establishing the association between nonnutritive sucking behavior and malocclusions: a systematic review and meta-analysis. J Am Dent Assoc. 2016;147(12):926-34.e6.
  5. Martin C, et al. Retention procedures for stabilising tooth position after treatment with orthodontic braces. Cochrane Database Syst Rev. 2023;5(5):CD002283.

Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.

Continuar a ler

Todos os artigos →

Primeiro passo

Não sabe o que agendar?

Explique-nos os seus sintomas ou dúvidas. O Diretor Clínico irá orientá-lo para o melhor primeiro passo.

913 166 782Chamada e WhatsApp

A sua pergunta é lida pelo Diretor Clínico, Dr. Nuno Leal.

Morada
Circunvalação do Alto S. Domingos, n.º 30, R/C, 4590-165 Paços de Ferreira
Horário
Segunda a sexta: 9h00 às 12h00 e 14h00 às 19h00. Sábado: 10h00 às 13h00.
Pagamento
Numerário, Multibanco, MB Way, cartão de crédito e pagamento faseado
Google
5,0 em 67 avaliações
Ligar 913 166 782 WhatsApp

Cookies

Usamos cookies para medir as visitas ao site e os resultados dos anúncios.

Só os ativamos se aceitar. O site funciona todo sem eles. Política de cookies

Medição e anúncios, só se aceitar. Política de cookies