
Nem todos os sinais são iguais. Saber distinguir uma lesão benigna de uma que merece dermoscopia é a primeira linha de defesa contra o melanoma — um dos cancros com pior prognóstico quando diagnosticado tardiamente, e um dos mais curáveis quando detectado cedo.
O que é a dermoscopia
A dermoscopia é uma técnica de observação ampliada da pele, usando luz polarizada e ampliação 10x a 20x. Permite ver estruturas que o olho nu não distingue — padrões pigmentares, vasos, glóbulos, redes — e classificar lesões com precisão muito superior ao exame visual simples. É o equivalente, em dermatologia, a auscultar com estetoscópio em medicina interna: não é opcional para diagnóstico de lesões pigmentadas.
Regra ABCDE: o que observar num sinal
Existe um critério clínico simples para identificar lesões suspeitas que justificam avaliação imediata:
- Assimetria — uma metade da lesão não corresponde à outra
- Bordos irregulares, recortados ou mal definidos
- Cor heterogénea, com várias tonalidades de castanho, preto, vermelho ou branco
- Diâmetro superior a 6 mm (mas melanomas mais pequenos também existem)
- Evolução: qualquer mudança de tamanho, cor, forma, ou comportamento (sangramento, prurido, crosta)
A presença de qualquer um destes critérios — em particular Evolução — é indicação para consulta dermatológica com dermoscopia.
Quem deve fazer rastreio regular
- Pessoas com história pessoal ou familiar de melanoma ou cancro de pele
- Fototipos I e II (pele clara, olhos claros, sardas, queimaduras solares fáceis)
- Quem tem mais de 50 sinais no corpo
- Histórico de queimaduras solares graves na infância ou exposição solar profissional intensa
- Imunossupressão (transplantados, doenças auto-imunes em terapêutica)
- Adultos com idade superior a 50 anos sem rastreio prévio
Para a maioria dos adultos sem factores de risco específicos, uma consulta anual de dermoscopia é o padrão. Pacientes com vigilância apertada podem precisar de avaliações semestrais.
Como decorre uma consulta de rastreio
A consulta começa com história clínica detalhada (antecedentes pessoais, familiares, exposição solar, alterações notadas). Segue-se um exame visual da totalidade do tegumento, incluindo zonas frequentemente esquecidas: couro cabeludo, plantas dos pés, unhas, mucosas e pregas. Lesões suspeitas são examinadas com dermoscopia. Quando indicado, fotografamos lesões para mapeamento e seguimento — o que permite detectar mudanças subtis em consultas seguintes. Se houver dúvida diagnóstica, faz-se biópsia para análise histológica.
Quando procurar acompanhamento médico
Qualquer sinal novo após os 30 anos, qualquer mudança num sinal existente, ou a simples vontade de ter tranquilidade sobre o estado da sua pele justificam uma avaliação dermatológica. O rastreio leva 20 a 30 minutos e poupa anos de incerteza — e em alguns casos salva vidas. Marque a sua consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.



