Quando começar ortodontia na criança? Sinais a observar | Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins
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Quando começar ortodontia na criança? Sinais que não convém ignorar

Ortodontista pediátrica a observar dentes de criança em consulta — Instituto Médico e Dentário, Paços de Ferreira

“Está cedo demais?” “Não é melhor esperar cair tudo o que tem de cair?” São das perguntas mais frequentes na consulta de ortodontia infantil. A resposta curta é que muitos problemas se resolvem melhor — e mais barato — quando intervimos cedo, mesmo antes da troca completa dos dentes de leite. A American Association of Orthodontists recomenda uma primeira avaliação ortodôntica por volta dos 7 anos. Este artigo explica porquê e que sinais tornam essa avaliação urgente.

Por que a avaliação aos 7-8 anos faz diferença

Aos 7-8 anos a criança tem dentição mista — alguns dentes definitivos já erupcionaram (incisivos, primeiros molares) e outros estão a caminho. Este momento dá ao ortodontista informação suficiente para detectar problemas estruturais sem que o tratamento tenha de esperar pela troca completa. Em alguns casos a janela de oportunidade fecha-se com o crescimento: corrigir uma mordida cruzada com 8 anos é simples; com 14 anos exige cirurgia ortognática.

Avaliar cedo não significa tratar cedo. A maioria das crianças avaliadas aos 7-8 anos não inicia tratamento imediato — fica em vigilância ortodôntica com revisões anuais até ao momento certo. Mas há um conjunto de sinais que, quando presentes, justificam intervenção precoce.

7 sinais que justificam consulta de ortodontia infantil

  • Mordida cruzada — quando os dentes de baixo encaixam por fora dos de cima (à frente ou de lado). Pode causar desvio do crescimento da mandíbula se não corrigida.
  • Mordida aberta — os dentes de cima e de baixo não tocam à frente quando a boca fecha. Frequentemente associada ao hábito de chuchar no dedo ou usar chupeta tarde.
  • Mordida profunda — os dentes de cima cobrem quase totalmente os de baixo, traumatizando a gengiva.
  • Apinhamento marcado — falta de espaço evidente para os dentes definitivos que estão a nascer.
  • Respiração predominantemente pela boca — pode resultar de obstrução nasal ou hábito, e altera o desenvolvimento do palato.
  • Perda precoce de dentes de leite — sem mantenedor de espaço, os dentes vizinhos migram e bloqueiam a erupção do definitivo.
  • Hábitos persistentes para além dos 4-5 anos — chuchar no dedo, chupeta, interposição lingual.

Ortopedia funcional dos maxilares: o que é

Antes do tratamento ortodôntico clássico (com aparelho fixo ou alinhadores), há uma fase intermédia chamada ortopedia funcional dos maxilares. Usa aparelhos removíveis personalizados que orientam o crescimento ósseo da criança — alargam o palato, reposicionam a mandíbula, corrigem mordidas. Quando bem indicada, esta fase pode evitar extracções e cirurgias mais tarde.

Não substitui o aparelho fixo definitivo, mas prepara a boca para que esse aparelho, quando chega a altura, dure menos tempo e tenha resultado mais previsível.

Aparelho fixo, alinhadores invisíveis ou removível?

A escolha depende da idade da criança, do problema a corrigir, e da capacidade de cooperação. Em fase de dentição mista, predominam aparelhos removíveis e ortopédicos. A partir dos 11-12 anos, com a maioria dos definitivos já presentes, entra-se na fase de tratamento ortodôntico fixo — aparelho com brackets ou alinhadores invisíveis tipo Invisalign. Os alinhadores adolescentes têm cada vez melhor indicação, mas exigem disciplina (22 horas por dia).

Quanto tempo demora um tratamento

Tratamentos ortopédicos precoces costumam durar 6-12 meses e são seguidos de uma fase de observação até à dentição definitiva. O tratamento ortodôntico clássico (já com a maioria dos dentes definitivos) varia entre 12 e 24 meses, dependendo da complexidade. Após o tratamento, a contenção (com placa nocturna ou fio fixo) é para a vida — sem ela, os dentes voltam a desalinhar com o tempo.

Quando procurar acompanhamento médico

Mesmo sem nenhum dos sinais descritos acima, uma avaliação ortodôntica aos 7-8 anos é uma boa prática. Em consulta avaliamos o crescimento, a oclusão, hábitos e padrão respiratório, e definimos se há indicação para iniciar agora, esperar, ou apenas vigiar. Na clínica em Paços de Ferreira a avaliação é feita pela Dra. Carolina Santos, especialista em ortodontia, que também acompanha o tratamento se necessário.

O que perguntar na primeira consulta

Aproveite a primeira consulta para perceber o caso da sua criança em concreto e não apenas o tema “ortodontia” em abstracto. Algumas perguntas úteis:

  • O que está a ser observado e o que preocupa de facto — versus o que é só vigilância?
  • Há indicação para tratar agora ou esperar pela troca dentária? Que sinais específicos vão fazer mudar a recomendação?
  • Que exames adicionais se justificam (radiografia panorâmica, telerradiografia)?
  • Se tratar agora, qual é a fase 1 e quando entra a fase 2 (aparelho fixo definitivo)? Custo separado de cada uma.
  • O que precisa da criança em colaboração (uso de aparelho removível, exercícios)?

Mitos comuns que ouvimos em consulta

  • “Chuchar no dedo é só estética.” Não é. Em crianças que mantêm o hábito além dos 4-5 anos, altera o palato e a mordida — pode justificar intervenção precoce.
  • “Aparelho fixo só aos 12-13 anos.” A fase precoce com aparelhos ortopédicos pode evitar extracções e cirurgias mais tarde — em casos seleccionados.
  • “Alinhadores invisíveis são só para adultos.” Existem versões para adolescentes com indicações específicas e taxas de sucesso comparáveis ao aparelho fixo, em casos adequados.
  • “Os dentes definitivos vão acomodar-se sozinhos quando os de leite caírem.” Em muitos casos sim, mas o ortodontista é quem decide — não o pai ou o pediatra apenas pela observação visual.
Dra. Carolina Santos, Medicina Dentária · Ortodontia, Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira
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