Dor no joelho: meniscos, ligamentos, artrose | Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins
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Dor no joelho: meniscos, ligamentos, artrose — quando ortopedia

Mãos a segurar joelho com dor após corrida — Instituto Médico e Dentário, Paços de Ferreira

Dor no joelho é uma das queixas mais frequentes em consulta de ortopedia — e uma das mais variadas em causas. Lesão aguda durante exercício? Desgaste por idade? Sobrecarga repetida? “Joelho do corredor”? Cada um destes implica abordagem diferente. Este artigo explica os quadros mais frequentes, os critérios para distinguir, e quando vale a pena imagem ou consulta especializada.

Anatomia em 60 segundos

O joelho é uma articulação complexa entre fémur, tíbia e rótula. Estruturas que doem com mais frequência:

  • Meniscos (medial e lateral) — discos de cartilagem que amortecem e estabilizam
  • Ligamentos cruzados (anterior e posterior) — estabilidade ântero-posterior
  • Ligamentos colaterais (medial e lateral) — estabilidade lateral
  • Cartilagem articular — superfície deslizante
  • Tendões (quadricípete, rotuliano) — transmissão de força muscular
  • Bolsas serosas — bursite quando inflamadas

Lesão aguda (trauma claro)

Dor súbita após movimento brusco, queda, ou contacto desportivo. Sinais que devem mover para avaliação no próprio dia ou dia seguinte:

  • “Sentir um estalo” ou um clique no momento da lesão — frequente em rotura do ligamento cruzado anterior
  • Inchaço acentuado nas primeiras horas (hemartrose)
  • Sensação de “joelho a falhar” ao apoiar peso — instabilidade ligamentar
  • Bloqueio — joelho não dobra ou não estica completamente — sugestivo de lesão meniscal com fragmento solto
  • Dor à palpação focal em ligamento ou interlinha articular

Avaliação em consulta de ortopedia ou serviço de urgência ortopédica, com radiografia inicial. Ressonância magnética em casos com suspeita de lesão ligamentar ou meniscal.

Dor de sobrecarga (sem trauma agudo)

Atletas amadores e profissionais que aumentam carga, mudam técnica ou superfície de treino, ou pessoas sedentárias que retomam actividade abruptamente. Síndromes típicas:

  • Síndrome femoro-rotuliana (“joelho do corredor”) — dor anterior, peri-rotuliana, agravada por subir/descer escadas e ficar muito tempo sentado
  • Tendinopatia rotuliana — dor abaixo da rótula, típica em desportos com saltos
  • Síndrome da banda iliotibial — dor lateral do joelho em corredores
  • Bursite — dor à pressão sobre uma área específica, com inchaço focal

Estas situações tipicamente respondem a fisioterapia (correcção de padrões biomecânicos, fortalecimento), modificação de treino e analgesia pontual. Imagem por rotina não é necessária.

Artrose — desgaste articular

A artrose do joelho (gonartrose) afecta cerca de 10% dos adultos >60 anos — mais em mulheres, em quem tem antecedentes de lesão prévia, ou em quem tem peso excessivo. Apresentação típica:

  • Dor de início insidioso, agravada com actividade, melhora com repouso
  • Rigidez matinal de curta duração (<30 min)
  • Crepitações ao mexer o joelho
  • Limitação progressiva da flexão, dificuldade em levantar de cadeiras baixas
  • Episódios de exacerbação com inchaço e dor maior

Diagnóstico clínico, confirmado por radiografia (não ressonância — radiografia chega na maioria dos casos). Tratamento conservador é a base: perda de peso (cada kg poupa 4 kg na pressão articular), exercício terapêutico (paradoxalmente, joelhos com artrose precisam de movimento, não de repouso), analgesia ajustada, fisioterapia e em casos seleccionados infiltrações. Cirurgia (prótese) reservada para casos com dor incapacitante e perda funcional marcada apesar de medidas conservadoras maximizadas.

Quando vai imagem (e quando não)

  • Radiografia — primeira linha em qualquer dor persistente; mostra alinhamento, espaço articular, alterações degenerativas, fracturas
  • RM — justificada em suspeita de lesão ligamentar, meniscal sintomática, lesões cartilaginosas focais, ou em pré-cirurgia
  • Ecografia — útil em tendinopatias e bursites superficiais, baixa para estruturas intra-articulares
  • TAC — preferida em fracturas complexas e planeamento cirúrgico de prótese

Pedir RM “para ver melhor” sem indicação clínica clara raramente muda a conduta — e revela frequentemente alterações degenerativas que não são causa da dor actual. Imagem dirigida pelo exame clínico é a regra.

Quando procurar acompanhamento médico

Dor no joelho com mais de 4-6 semanas, lesão aguda com inchaço marcado ou sensação de instabilidade, ou dor que limita actividade quotidiana — todos justificam consulta de ortopedia. Na clínica em Paços de Ferreira, o Dr. Marcos Silva acompanha em consulta agendada com avaliação clínica orientada e plano dirigido — em articulação com fisioterapia quando indicado, e com decisão criteriosa sobre quando faz sentido pedir imagem ou cirurgia.

O que fazer em casa numa lesão aguda

Nas primeiras 48-72 horas após lesão sem red flags óbvias (ver acima), a abordagem em casa tem evidência consolidada — protocolo POLICE (evolução do antigo RICE):

  • Protection — proteger de novo trauma; evitar movimentos que despoletem dor aguda
  • Optimal Loading — carregar o joelho de forma ajustada à dor, em vez de imobilização total. Movimento dentro do tolerável acelera recuperação
  • Ice — gelo 15-20 min, várias vezes por dia, nas primeiras 48h, com pano interposto (não directamente na pele)
  • Compression — ligadura elástica adequada, sem comprimir excessivamente
  • Elevation — elevar o joelho acima do nível do coração quando possível

Anti-inflamatórios não-esteróides em ciclos curtos (3-7 dias) ajudam — sempre verificar contra-indicações (úlcera, doença renal, anticoagulação). Se a dor não melhorar em 5-7 dias, ou se piorar, vale a pena avaliação clínica.

Como prevenir lesões e desgaste articular

  • Manter peso saudável — cada quilo extra multiplica força sobre o joelho ao caminhar e correr (cerca de 4× ao subir escadas)
  • Fortalecimento dos quadríceps, glúteos e core — quanto mais forte a musculatura periarticular, menos sobrecarga directa nas estruturas passivas (ligamentos, meniscos, cartilagem)
  • Aumentar carga de treino gradualmente — regra dos 10% por semana é boa orientação para corredores
  • Escolher calçado adequado ao tipo de actividade e pisada
  • Aquecer antes de exercício intenso e fazer alongamento controlado depois
  • Não ignorar dor persistente — “treinar pela dor” é receita para lesão crónica
Dr. Marcos Silva, Ortopedia · Especialista em Coluna, Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira
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