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All-on-4 e All-on-6 vs implantes unitários: quando faz sentido cada solução

Para 1–2 dentes em falta: implante unitário. Para uma arcada quase ou totalmente desdentada: All-on-4 ou All-on-6. Explicamos a fronteira entre as duas decisões clínicas.

Equipa do Instituto · · 5 min de leitura

Implantologia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Caso clínico antes e depois de reabilitação total fixa com All-on-6 (superior) e All-on-4 (inferior), implantes Nobel Active da Nobel Biocare, no Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, em Paços de Ferreira

«Se preciso de muitos dentes, não é melhor fazer All-on-4 logo?», é uma pergunta legítima e cada vez mais frequente. A resposta depende de quantos dentes ainda tem, do estado dos que ainda lá estão, e da quantidade de osso disponível. Neste guia explicamos a fronteira entre as duas opções. Se já sabe que procura dentes fixos numa arcada inteira, veja a página do All-on-4 em Paços de Ferreira: preço e procedimento.

Resumo rápido

  • 1 a 4 dentes em falta: habitualmente implantes unitários ou ponte sobre implantes
  • Arcada com poucos dentes restantes (e em mau estado): ponderar All-on-4 / All-on-6
  • Arcada totalmente desdentada ou em prótese removível: há duas opções com implantes, a prótese fixa (All-on-4 / All-on-6) e a dentadura presa a 2 a 4 implantes (sobredentadura), mais simples e mais barata. Escolhe-se caso a caso.

O preço também é diferente: 1.200 a 1.500 € por implante unitário vs 7.000 a 9.000 € por arcada All-on-4/6. Em página de preços publicamos os intervalos de referência para cada tratamento.

Implantes unitários: quando fazem sentido

O implante unitário é um implante por dente em falta, solução natural quando perdeu 1, 2 ou 3 dentes mas o resto da arcada está saudável.

Vantagens:

  • Preserva os dentes adjacentes (não precisa de os desgastar como uma ponte convencional)
  • Na mastigação e na higiene é muito parecido com um dente natural
  • Manutenção é igual à dos restantes dentes: escovagem + fio dentário + controlo periódico
  • Substituição individual em caso de falha futura

Limites: com perdas múltiplas (4+ dentes consecutivos) ou doença periodontal generalizada, fazer 4–6 implantes unitários pode custar mais do que um All-on-4 e oferecer pior previsibilidade. Aí entra a discussão de «salvar o que resta» vs «reabilitação total».

All-on-4 / All-on-6: quando fazem sentido

O All-on-4 (e a variante All-on-6) é uma técnica em que uma arcada inteira de dentes (10 a 12 dentes) é suportada por 4 ou 6 implantes estrategicamente colocados. A prótese é fixa, aparafusada aos implantes.

Vantagens:

  • Custo mais previsível para reabilitações totais (vs múltiplos implantes unitários)
  • Na grande maioria dos casos, carga imediata, sai da consulta com dentes fixos no mesmo dia
  • Sem prótese removível
  • Recupera função mastigatória e estética em poucos meses

Limites: a manutenção é diferente, a prótese é higienizada com técnicas específicas (escovilhões interdentários, irrigador). E, se houver falha num dos implantes, a prótese pode ter de ser ajustada ou refeita.

Sobredentadura: a dentadura presa a implantes

Para quem já não tem dentes numa arcada, há outra solução com implantes: a sobredentadura, uma dentadura que encaixa em 2 a 4 implantes. Não descai ao mastigar, como a dentadura tradicional, mas tira-se para limpar. Pede menos implantes e é mais simples e mais barata do que o All-on-4. Na arcada de baixo, a dentadura presa a 2 implantes é considerada a primeira opção para quem não tem dentes (consenso de McGill, 2002). Escolhemos consigo, caso a caso, entre a prótese fixa e a sobredentadura.

O dilema «salvar dentes restantes vs reabilitação total»

É a discussão clínica mais comum. Pacientes que ainda têm 5–8 dentes na arcada, alguns com mobilidade ou doença periodontal severa, perguntam se vale a pena salvar o que resta com tratamento periodontal + implantes unitários, ou avançar diretamente para All-on-4.

A decisão depende de:

  • Prognóstico real dos dentes restantes, se 3 deles vão precisar de ser extraídos a 2–3 anos, «salvar» pode ser custo perdido
  • Idade e expectativa funcional
  • Vontade do paciente de viver com tratamentos espaçados vs fechar tudo num único processo
  • Custo total previsto a 5–10 anos

Não há resposta universal. Não tratamos dentes que não precisam, mas também não defendemos preservar dentes que vão falhar a curto prazo. A nossa abordagem é discutir cenários a 5 e 10 anos com o paciente, com transparência sobre incertezas.

E quando não há osso suficiente para All-on-4?

Em casos com perda óssea severa, o All-on-4 convencional pode não ser viável. Alternativas:

  • Enxerto ósseo prévio, regenera o osso suficiente para colocar implantes convencionais (adia 4–6 meses)
  • Implantes zigomáticos, fixados no osso zigomático em vez do maxilar; técnica avançada, requer experiência cirúrgica específica
  • All-on-6 ou All-on-8, com implantes mais curtos distribuídos por mais pontos

Comparação rápida

CritérioImplante unitárioAll-on-4 / 6
Dentes em falta1–4Arcada quase ou totalmente desdentada
Custo1.200 a 1.500 €por implante7.000 a 9.000 €por arcada
Tempo até dente finalCerca de 3 mesesCarga imediata na maioria dos casos; final ao fim de cerca de 3 meses
HigieneIgual a dente naturalTécnica específica (escovilhões, irrigador)
Substituição se falhaIndividualPode requerer ajuste da prótese

Riscos e manutenção

Um implante é uma cirurgia e tem riscos, que se reduzem com boa avaliação e bons cuidados. Os que mais pesam:

  • Peri-implantite: inflamação da gengiva e do osso à volta do implante, que pode levar à sua perda. Num grande estudo, cerca de 1 em cada 7 doentes tinha a forma moderada a grave aos 9 anos.
  • Tabaco: dificulta a cicatrização e aumenta o risco de o implante falhar.
  • Diabetes mal controlada: atrasa a cicatrização; com a diabetes controlada, o risco aproxima-se do de quem não a tem.
  • Medicamentos para os ossos (para a osteoporose ou para o cancro, em comprimido ou injeção): podem afetar a cicatrização do maxilar. Diga-nos se os toma ou já tomou.
  • Radioterapia à cabeça e pescoço: o osso tratado cicatriza pior e o plano exige mais cuidado.

A manutenção faz parte do tratamento: limpeza diária, também entre os dentes, e revisões com higiene profissional pelo menos uma vez por ano.

Perguntas frequentes

Quando faz sentido All-on-4 em vez de implantes unitários?

Para arcadas quase ou totalmente desdentadas, ou com poucos dentes restantes em mau estado, o All-on-4 é tipicamente mais previsível e económico do que múltiplos implantes unitários sucessivos. Entre 1 e 4 dentes em falta, os implantes unitários são habitualmente a melhor opção.

É possível fazer All-on-4 sem osso suficiente?

Em casos com perda óssea severa, o All-on-4 convencional pode não ser viável. Alternativas: enxerto ósseo prévio, implantes zigomáticos, ou All-on-6/All-on-8 com implantes mais curtos distribuídos por mais pontos. Discutido caso a caso.

All-on-4 dá dentes fixos no mesmo dia?

Na grande maioria dos casos, sim: é a chamada carga imediata. O paciente sai da consulta com prótese fixa provisória sobre os 4 implantes. A prótese definitiva é colocada ao fim de cerca de 3 meses de osteointegração.

Como é a higiene de uma prótese All-on-4?

Diferente de dentes naturais. Usa-se escovagem, fio dentário passador, escovas interproximais e idealmente irrigador oral. As consultas de manutenção fazem-se pelo menos uma vez por ano, e de seis em seis meses quando o risco o justifica.

All-on-4 dura para sempre?

Nos estudos, mais de 9 em cada 10 implantes continuam em função aos 10 anos (Howe 2019; no All-on-4, cerca de 93% aos 10 a 18 anos, Maló 2019). A prótese (a parte visível com os dentes) dura menos: nas próteses híbridas, muitas vezes 10 a 15 anos, com pequenas reparações pelo meio (dentes de resina partidos e parafusos soltos são frequentes). Pode ser substituída sem mexer nos implantes.

Fontes

  1. Maló P, et al. The All-on-4 treatment concept for the rehabilitation of the completely edentulous mandible: a longitudinal study with 10 to 18 years of follow-up. Clin Implant Dent Relat Res. 2019;21(4):565-77.
  2. Lopes A, et al. The NobelGuide All-on-4 treatment concept for rehabilitation of edentulous jaws: a retrospective report on the 7-years clinical and 5-years radiographic outcomes. Clin Implant Dent Relat Res. 2017;19(2):233-44.
  3. Feine JS, et al. The McGill consensus statement on overdentures. Mandibular two-implant overdentures as first choice standard of care for edentulous patients. Int J Oral Maxillofac Implants. 2002;17(4):601-2.
  4. Derks J, et al. Effectiveness of implant therapy analyzed in a Swedish population: prevalence of peri-implantitis. J Dent Res. 2016;95(1):43-9.

Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.

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