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Dermatite atópica em crianças: gestão prática para pais

Eczema atópico afeta cerca de 1 em cada 5 crianças. Hidratação, banhos, medicação e quando consultar, em Paços de Ferreira.

Equipa do Instituto · · 3 min de leitura

Dermatologia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Mão de criança dentro de mão adulta, dermatite atópica em crianças

Cerca de 1 em cada 5 crianças desenvolve dermatite atópica nos primeiros anos de vida. A maioria melhora à medida que cresce, mas a forma como gerimos os primeiros anos influencia conforto, sono e desenvolvimento. Saber o essencial poupa muito sofrimento.

O que é dermatite atópica

Dermatite atópica (também conhecida como eczema atópico) é uma doença inflamatória crónica da pele com base genética, caracterizada por uma barreira cutânea disfuncional, a pele perde água, fica seca, sensibiliza-se a alergénios e infeta com facilidade. Manifesta-se por placas avermelhadas, secas, pruriginosas, em localizações típicas que mudam com a idade: face e couro cabeludo no lactente, dobras (cotovelos, joelhos, pescoço) na criança e adolescente. Frequentemente associa-se a asma e rinite alérgica, a chamada «marcha atópica».

Fatores desencadeantes comuns e estratégias de prevenção

  • Pele seca: o desencadeante universal, qualquer fator que reseque (banhos quentes, sabões agressivos, ar seco) piora
  • Calor e suor: ambientes quentes e roupas sintéticas são problemáticos
  • Tecidos rugosos: lã, etiquetas, costuras grossas, preferir algodão suave
  • Detergentes e amaciadores: optar por hipoalergénicos, enxaguar bem
  • Stress emocional: fator real, embora subestimado
  • Infeções: bacterianas (Staphylococcus aureus) e virais (herpes) podem desencadear surtos graves

Identificar os fatores desencadeantes de cada criança é fundamental, frequentemente um diário de surtos durante 4-6 semanas revela padrões claros.

Hidratação e cuidados de pele: o pilar do tratamento

A hidratação não é coadjuvante, é o tratamento de base. Princípios essenciais:

  • Banhos curtos (5-10 minutos), com água morna (nunca quente), com syndet (gel sem sabão)
  • Aplicar emoliente imediatamente após o banho, com pele ligeiramente húmida, fixa a hidratação
  • Reaplicar emoliente 2-3 vezes por dia, sempre depois de qualquer contacto com água
  • Preferir cremes ou pomadas em vez de loções (mais eficazes na barreira cutânea)
  • Manter ambiente fresco, especialmente no quarto à noite

Medicação tópica e novos tratamentos

Em surtos inflamatórios, a hidratação não chega, é preciso medicação anti-inflamatória tópica:

  • Corticóides tópicos: pilar do tratamento de surto, usados com potência adequada à zona e idade, em ciclos curtos. Bem geridos por médico, são seguros mesmo em crianças pequenas
  • Inibidores da calcineurina (tacrolimus, pimecrolimus): alternativa aos corticóides para zonas sensíveis (face, dobras), sem atrofia cutânea
  • Anti-histamínicos orais: não tratam a dermatite atópica e não está provado que aliviem a comichão. Num surto em que a comichão não deixa a criança dormir, o médico pode receitar, por poucos dias, um que dê sono; não os dê por sua conta, sobretudo a bebés e crianças pequenas
  • Tratamentos sistémicos modernos: em formas moderadas a graves resistentes, existem hoje biológicos (dupilumab) e inibidores JAK aprovados em crianças, que transformaram o prognóstico

Quando procurar acompanhamento médico

Procure dermatologia se: a hidratação rotineira não controla os surtos; há infeções recorrentes; o sono da criança ou da família está afetado; ou tem dúvidas sobre uso de corticóides. Um plano bem desenhado, com escalada progressiva e revisão periódica, faz toda a diferença na infância de uma criança com pele atópica. Marque a sua consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.

Fontes

  1. Langan SM, et al. Atopic dermatitis. Lancet. 2020;396(10247):345-60.
  2. Wollenberg A, et al. European guideline (EuroGuiDerm) on atopic eczema - part II: non-systemic treatments and treatment recommendations for special AE patient populations. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022;36(11):1904-26.
  3. Wollenberg A, et al. European guideline (EuroGuiDerm) on atopic eczema: part I - systemic therapy. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2022;36(9):1409-31.

Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.

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