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Dor lombar: causas, sinais de alerta e quando procurar um ortopedista

Dor lombar afeta 8 em cada 10 adultos. Saiba quais as causas mais comuns, os sinais de alerta a não ignorar e quando vale a pena consultar um ortopedista.

Equipa do Instituto · · 5 min de leitura

Ortopedia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Homem adulto com a mão na zona lombar no escritório, dor lombar e quando ir ao ortopedista

A dor lombar afeta cerca de 8 em cada 10 adultos em algum momento da vida. Na maioria dos casos é benigna e resolve-se em poucas semanas, mas há sinais que justificam uma avaliação por um ortopedista sem demora.

O que é, afinal, a dor lombar?

A dor lombar, ou lombalgia, é o desconforto sentido na zona inferior das costas, entre as últimas costelas e a linha das nádegas. Pode aparecer de forma súbita (após um esforço, um movimento brusco ou uma má noite de sono) ou instalar-se gradualmente, ao longo de semanas ou meses.

Distingue-se entre dor lombar aguda (até seis semanas), subaguda (entre seis e doze semanas) e crónica (mais de três meses). Esta diferenciação não é um detalhe técnico: orienta o tipo de avaliação e o ritmo terapêutico.

Causas mais comuns no dia-a-dia

A grande maioria das lombalgias é classificada como inespecífica: ou seja, sem uma única estrutura anatómica claramente responsável. Nestes casos, o problema costuma resultar da combinação de vários fatores:

  • Sedentarismo prolongado, sobretudo horas seguidas em frente ao computador ou ao volante.
  • Postura inadequada ao sentar, levantar pesos ou dormir.
  • Sobrecarga muscular em movimentos repetitivos no trabalho ou no exercício.
  • Excesso de peso, que aumenta a pressão sobre os discos intervertebrais.
  • Stress e tensão emocional, que mantêm a musculatura paravertebral contraída.

Em menos casos, a dor tem uma causa estrutural identificável: hérnia discal, espondilartrose, estenose do canal vertebral, escoliose, espondilolistese ou, mais raramente, infeções e tumores. É a presença ou ausência de sinais de alerta que ajuda a separar estas situações.

Sinais de alerta a não ignorar

Há um conjunto de sintomas, designados na literatura clínica por sinais de alarme, que devem motivar uma consulta com ortopedista de forma rápida, mesmo que a dor não pareça intensa:

  • Dor que irradia para a perna abaixo do joelho, com formigueiros ou perda de força (sugere envolvimento do nervo ciático).
  • Perda de sensibilidade na zona genital ou perineal, ou perda de controlo dos esfíncteres: é uma urgência e não espera pela consulta. Ligue 112 ou vá de imediato à urgência hospitalar.
  • Dor que piora à noite ou quando se está em repouso, em vez de melhorar.
  • Febre, perda de peso inexplicada ou história recente de cancro.
  • Trauma significativo recente (queda, acidente).
  • Dor lombar persistente em pessoas com mais de 50 anos sem causa aparente.
  • Dor que não melhora ao fim de 4 a 6 semanas com repouso relativo e analgesia simples.

Estes sinais não significam, necessariamente, que está em causa um problema grave, mas justificam imagiologia (radiografia, TAC ou ressonância magnética, conforme o caso) e avaliação especializada.

Como aliviar uma crise aguda em casa

Se a dor surgiu há poucos dias, sem nenhum dos sinais de alerta acima, há medidas simples que funcionam na maioria dos episódios:

  • Manter alguma atividade: o repouso absoluto na cama prolonga a recuperação. Caminhar curtas distâncias ajuda.
  • Calor local (saco térmico, duche quente) durante 15-20 minutos relaxa a musculatura.
  • Medicação: o paracetamol sozinho não acelera a recuperação. Se puder tomar, um anti-inflamatório durante poucos dias ajuda mais, sempre respeitando as contraindicações (estômago, rins, coração); pergunte ao seu médico.
  • Evitar levantar pesos, torções bruscas e posições mantidas por muito tempo.
  • Dormir de lado, com uma almofada entre os joelhos, ou de costas com almofada sob os joelhos.

Se ao fim de duas semanas não houver melhoria clara, ou se aparecer qualquer sintoma novo, é prudente marcar consulta.

O papel do ortopedista no diagnóstico

A consulta de Ortopedia começa quase sempre da mesma forma: uma conversa detalhada sobre quando começou a dor, o que a desencadeia, o que a alivia, atividade profissional, antecedentes pessoais e medicação. Segue-se o exame físico, testes de mobilidade, força muscular, reflexos e manobras específicas que ajudam a localizar a origem do problema.

Os exames de imagem só fazem sentido em situações concretas. Pedir radiografias ou ressonâncias por rotina em todas as lombalgias não é boa prática: a maioria dos achados imagiológicos (pequenas protrusões discais, sinais de desgaste) existe também em pessoas sem qualquer dor, e pode levar a tratamentos desnecessários. O bom uso destes exames depende sempre de uma boa avaliação clínica prévia.

Tratamento: muito além do comprimido

O plano terapêutico depende da causa identificada e da fase em que se encontra a lombalgia. Em traços gerais:

  • Fisioterapia: peça central no tratamento da dor lombar crónica, com programas individualizados de fortalecimento do core e correção postural.
  • Ergonomia: aprender a sentar, a levantar pesos e a organizar o posto de trabalho torna o dia a dia mais confortável, mas sozinha não previne novas crises. O que previne é o exercício regular.
  • Atividade física regular: caminhar, nadar ou andar de bicicleta, pelo menos 150 minutos por semana, reduz significativamente a frequência das recidivas.
  • Tratamento da causa específica quando existe (hérnia, estenose, etc.), que pode incluir infiltrações ou, em situações selecionadas, cirurgia.
  • Abordagem do componente emocional: o stress crónico e o sono de má qualidade alimentam a dor, vale a pena tratá-los em paralelo.

A cirurgia é, de longe, a exceção e não a regra. A maioria dos doentes com dor lombar, mesmo aqueles com hérnia discal documentada, melhora com tratamento conservador bem feito.

Quando procurar acompanhamento médico

A regra prática é simples: se a dor lombar passa em poucos dias com cuidados básicos, não há motivo para alarme. Mas se persiste mais de duas a quatro semanas, recorre com frequência, irradia para a perna ou se acompanha de qualquer um dos sinais de alerta acima, vale a pena ouvir uma opinião clínica antes que o problema se cronifique. No Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, em Paços de Ferreira, a consulta de Ortopedia avalia o caso por completo e desenha um plano realista, começando, sempre que possível, pelas opções mais simples e menos invasivas.

Fontes

  1. Williams CM, et al. Efficacy of paracetamol for acute low-back pain: a double-blind, randomised controlled trial. Lancet. 2014;384(9954):1586-96.
  2. National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management. NICE guideline NG59. Londres: NICE; 2016 (atualizada).
  3. Brinjikji W, et al. Systematic literature review of imaging features of spinal degeneration in asymptomatic populations. AJNR Am J Neuroradiol. 2015;36(4):811-6.
  4. Steffens D, et al. Prevention of low back pain: a systematic review and meta-analysis. JAMA Intern Med. 2016;176(2):199-208.

Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.

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