Queda de cabelo: causas dermatológicas e quando avaliar
Queda de cabelo tem causas múltiplas: hereditária, hormonal, nutricional ou inflamatória. Avaliação dermatológica em Paços de Ferreira.
Equipa do Instituto · · 3 min de leitura
Dermatologia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Perder cabelo no chuveiro ou na escova nem sempre é «normal». A causa pode ser hereditária, hormonal, nutricional ou inflamatória, e a abordagem certa começa por identificar qual.
Queda fisiológica vs queda patológica
Perder cabelo todos os dias é normal. A Academia Americana de Dermatologia e o NHS indicam 50 a 100 cabelos por dia; a Associação Britânica de Dermatologistas admite uma variação entre 30 e 150, que depende também dos hábitos de lavagem e escovagem. Considera-se queda patológica quando: a perda diária ultrapassa visivelmente o habitual para essa pessoa durante várias semanas; surgem zonas de menor densidade; o cabelo afina ao ponto de ver-se o couro cabeludo; ou aparecem áreas sem pelo bem delimitadas.
Tipos de alopécia mais frequentes
- Alopécia androgenética (calvície comum): hereditária, padrão característico em homens (entradas e tonsura) e mulheres (rarefação difusa do topo)
- Eflúvio telógeno: queda difusa 2 a 3 meses após um fator desencadeante (stress, parto, doença, dieta agressiva, COVID-19), geralmente reversível
- Alopécia areata: doença autoimune que provoca placas circulares sem cabelo, frequentemente súbitas
- Alopécia cicatricial: a inflamação destrói o folículo de forma permanente, por isso exige diagnóstico e tratamento precoces
- Causas nutricionais ou endócrinas: défice de ferro, alterações da tiroide, défice de vitamina D, distúrbios alimentares
Como é avaliada uma queda de cabelo em consulta
A consulta inclui história detalhada (há quanto tempo, padrão, antecedentes familiares, eventos recentes), exame do couro cabeludo com tricoscopia (dermoscopia aplicada ao cabelo), e frequentemente análises clínicas: hemograma, ferritina, função tiroideia, vitamina D, vitamina B12, perfil hormonal quando indicado. Em casos selecionados pode haver biópsia do couro cabeludo.
Tratamentos disponíveis
O tratamento depende inteiramente do diagnóstico:
- Tópicos: minoxidil de 2 a 5%, com evidência sólida na alopécia androgenética. No eflúvio telógeno, a Associação Britânica de Dermatologistas indica que, em regra, não é necessário tratamento, porque o cabelo volta a crescer por si, e que a medicação não acelera esse processo; o minoxidil pode ser considerado quando coexiste alopécia androgenética ou em formas crónicas, por decisão em consulta.
- Orais: finasterida em homens, espironolactona ou contracetivos em mulheres com padrão androgenético
- Suplementação dirigida: ferro, vitamina D ou biotina, apenas se houver défice documentado
- Tratamentos em consultório: a mesoterapia capilar com fatores de crescimento tem evidência limitada; só se considera em casos selecionados, como complemento do tratamento médico
- Imunossupressores tópicos ou orais: em alopécia areata extensa
Quando procurar acompanhamento médico
Se notar queda persistente há mais de 8 semanas, áreas sem cabelo, ou perda de densidade visível, procure consulta dermatológica. Quanto mais cedo se identifica a causa, melhores os resultados, em especial nas alopécias cicatriciais, onde o tempo é o fator crítico. Marque a sua consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.
Fontes
- British Association of Dermatologists. Telogen effluvium: patient information leaflet. Londres: BAD; 2025 (revisão de outubro de 2025).
- Kanti V, et al. Evidence-based (S3) guideline for the treatment of androgenetic alopecia in women and in men - short version. J Eur Acad Dermatol Venereol. 2018;32(1):11-22.
- Adil A, Godwin M. The effectiveness of treatments for androgenetic alopecia: A systematic review and meta-analysis. J Am Acad Dermatol. 2017;77(1):136-141.e5.
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Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.


