Tenho pouco osso para implantes? Soluções reais | Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins
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Tenho pouco osso para implantes? Enxerto, elevação de seio e All-on-4

Cirurgião dentista a analisar radiografia panorâmica para planeamento de implantes em paciente com pouco osso

“O dentista disse-me que não tenho osso suficiente para implantes.” Esta frase é uma das mais comuns na consulta de implantologia — e, na maioria dos casos, é uma meia-verdade. Ter pouco osso não significa não poder ter implantes; significa que o plano de tratamento precisa de uma etapa adicional. Neste artigo explicamos por que o osso é decisivo, como se avalia, e que opções existem hoje para reabilitar a boca com implantes mesmo quando o osso é insuficiente à partida.

Por que o osso é decisivo num implante

O implante dentário é um pequeno pilar de titânio que substitui a raiz do dente perdido. Para funcionar, precisa de se fixar ao osso maxilar num processo chamado osteointegração — o osso cresce e adere à superfície do implante ao longo de alguns meses. Sem osso suficiente em altura ou espessura à volta do implante, este não estabiliza, e a reabilitação fica comprometida.

A insuficiência óssea raramente é “azar”. Em geral resulta de processos previsíveis: extrações antigas em que o alvéolo não foi preservado, doença periodontal não tratada, próteses removíveis usadas durante anos, ou simplesmente o tempo. O osso que não é estimulado por uma raiz reabsorve-se — e quanto mais tempo passa, maior a perda. Por isso quanto mais precoce a avaliação, mais simples tende a ser a solução.

Como se avalia o osso disponível

A avaliação real só se faz com imagem tridimensional. A radiografia panorâmica clássica dá uma ideia geral mas distorce alturas e ignora a espessura. Para planeamento de implantes, o exame de referência é a TAC dentária (CBCT), que reconstrói o maxilar em 3D e permite medir com precisão a altura, a espessura e a densidade do osso em cada zona, bem como a distância a estruturas anatómicas críticas (seio maxilar, nervo dentário inferior, fossa nasal).

É frequente um paciente chegar à consulta com a ideia firme de que “não tem osso” — baseada apenas numa panorâmica feita há anos — e descobrir, com a TAC actual, que afinal há condições para colocar implantes sem qualquer enxerto. O contrário também acontece: zonas que pareciam adequadas à panorâmica revelam-se finas demais. Em qualquer caso, sem imagem 3D actualizada, a conversa sobre opções é prematura.

Enxerto ósseo: regenerar onde falta

Quando o defeito é localizado — falta espessura num determinado ponto, por exemplo — a opção mais directa é a regeneração óssea guiada. Coloca-se material de enxerto na zona deficitária, protege-se com uma membrana, e dá-se tempo ao corpo para integrar o material e formar osso novo (tipicamente quatro a seis meses). Só depois se coloca o implante, num segundo tempo cirúrgico, com osso saudável à volta.

O material de enxerto pode ser:

  • Autólogo — osso do próprio paciente (recolhido em zona próxima da boca). Excelente integração, mas implica um segundo local cirúrgico.
  • Xenoenxerto — osso de origem bovina processado, biologicamente seguro e amplamente estudado. É a opção mais comum.
  • Sintético — biomateriais à base de fosfato de cálcio, sem origem animal. Útil em pacientes com preferência por materiais não biológicos.

Em casos seleccionados, com defeito pequeno, é possível fazer enxerto e implante na mesma cirurgia — encurtando o tempo total de tratamento.

Elevação do seio maxilar

No maxilar superior, atrás dos caninos, existe uma cavidade chamada seio maxilar. Quando se perdem os molares e o osso se reabsorve, a distância entre a crista óssea e o “chão” do seio pode tornar-se demasiado pequena para colocar um implante com segurança. A solução é a elevação do seio maxilar: levantar cuidadosamente a membrana que reveste o seio e preencher o espaço resultante com material de enxerto.

Existem duas técnicas, escolhidas em função da altura óssea actual:

  • Elevação interna (atraumática), feita pelo próprio orifício do implante quando ainda há cinco ou mais milímetros de osso. Implante colocado no mesmo acto.
  • Elevação externa (lateral), com janela óssea, quando há menos altura disponível. Pode ser combinada com implante imediato ou ficar como fase prévia, com colocação do implante quatro a seis meses depois.

É um procedimento previsível, com taxas de sucesso superiores a 95% quando bem indicado e executado.

All-on-4 e All-on-6: usar o osso onde existe

Para pacientes desdentados ou com poucos dentes recuperáveis, há ainda a hipótese de evitar enxertos extensos com técnicas que aproveitam o osso disponível em vez de o tentar regenerar. As soluções All-on-4 e All-on-6 usam quatro ou seis implantes — alguns deles inclinados — colocados em zonas mais densas e estáveis do maxilar, sustentando uma prótese fixa de toda a arcada.

A grande vantagem é o tempo: na maioria dos casos é possível fazer carga imediata, ou seja, colocar uma prótese provisória fixa no mesmo dia ou nos dias seguintes à cirurgia. O paciente sai da clínica com dentes — e o tratamento definitivo é finalizado depois da osteointegração. Em pacientes com perda óssea avançada, evita meses de cirurgias regenerativas sucessivas.

Conforto cirúrgico: o papel da sedação consciente

Algumas destas cirurgias são mais longas ou geram ansiedade em pacientes com receio do dentista. Para esses casos, o Instituto oferece sedação consciente em parceria com anestesista — o paciente permanece consciente e colaborante, mas profundamente relaxado, sem memória desconfortável do procedimento. Permite resolver vários enxertos ou implantes numa única sessão, com mais conforto e menos visitas.

Quando procurar acompanhamento médico

“Tenho pouco osso” não é uma contra-indicação para implantes — é uma informação que muda o plano de tratamento. O passo seguinte deve ser sempre uma avaliação de implantologia com TAC actualizada. A partir daí, o caminho específico — enxerto, elevação de seio, All-on-4/6, ou colocação directa em zonas com osso adequado — é definido em função do que a imagem revela e dos objectivos do paciente.

Na clínica em Paços de Ferreira fazemos a avaliação 3D, o planeamento digital e todas as opções cirúrgicas referidas acima, em ambiente preparado para casos simples e complexos. Se já lhe disseram que não pode ter implantes, vale a pena pedir uma segunda avaliação — em muitos casos a resposta hoje é diferente.

Dra. Sara Martins, diretora da Medicina Dentária do Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira
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