Rosácea: diagnóstico e estratégias de gestão
Rosácea é doença crónica com vermelhidão e rubor faciais. Fatores desencadeantes e tratamento médico, em Paços de Ferreira.
Equipa do Instituto · · 2 min de leitura
Dermatologia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Vermelhidão facial persistente, pápulas que se confundem com acne, episódios de rubor intenso, vasos visíveis nas faces, rosácea é frequentemente confundida com pele sensível ou acne adulta, mas é uma doença distinta com tratamento próprio.
O que é rosácea (e o que não é)
Rosácea é uma doença inflamatória crónica que afeta sobretudo a face central, bochechas, nariz, testa, queixo. Tipicamente surge entre os 30 e os 50 anos, mais frequente em pessoas de pele clara. Apresenta-se em diferentes subtipos, frequentemente coexistentes:
- Eritemato-telangiectásica: vermelhidão persistente, rubor fácil, vasos visíveis
- Pápulo-pustulosa: lesões inflamatórias semelhantes a acne mas sem comedões
- Fimatosa: espessamento cutâneo, rinofima (nariz aumentado e irregular)
- Ocular: olhos secos, sensação de corpo estranho, blefarite, frequentemente subdiagnosticada
Não é acne. Não é pele sensível. Não é dermatite alérgica. O diagnóstico exige avaliação dermatológica, confundir rosácea com acne e tratar com produtos agressivos costuma agravá-la.
Fatores desencadeantes a evitar
Identificar e evitar os fatores desencadeantes de cada pessoa é parte essencial do controlo. Os mais comuns:
- Exposição solar (o mais importante, protetor solar diário SPF 50+ é obrigatório)
- Calor extremo, mudanças bruscas de temperatura, saunas
- Bebidas quentes
- Álcool, em particular vinho tinto
- Comida picante
- Stress emocional
- Cosméticos com álcool, mentol, fragrâncias, ácidos esfoliantes
- Exercício físico de alta intensidade (não é para evitar, é para gerir com refrigeração)
Tratamento médico
O tratamento depende do subtipo e gravidade:
- Tópicos: metronidazol, ácido azelaico, ivermectina (eficaz em rosácea pápulo-pustulosa associada a Demodex), brimonidina (para vermelhidão transitória)
- Orais: doxiciclina em dose anti-inflamatória (subantibiótica) é altamente eficaz em formas moderadas a graves; isotretinoína em casos refratários
- Cuidados de pele suaves: limpadores sem detergentes agressivos, hidratante adequado, protetor solar mineral
- Tratamento ocular: lágrimas artificiais, higiene palpebral, ciclos de tetraciclina oral
Quando indicar laser ou luz pulsada
Para vasos visíveis persistentes (telangiectasias) e vermelhidão difusa que não respondem aos tópicos, o laser vascular (KTP, Nd:YAG) e a luz pulsada intensa (IPL) são opções com boa evidência e resultados duráveis. São tratamentos médicos com indicação clínica, não cosmética, e frequentemente necessitam de várias sessões com intervalo de 4-6 semanas. O Instituto não dispõe de laser nem de luz pulsada: quando há indicação, o dermatologista encaminha.
Quando procurar acompanhamento médico
Se tem vermelhidão facial persistente há mais de 3 meses, lesões que se confundem com acne mas não respondem a tratamentos típicos, ou se nota olhos irritados associados, vale a pena uma avaliação dermatológica. Rosácea é uma doença bem caracterizada com tratamentos eficazes, quanto mais cedo se inicia, melhor o prognóstico estético e cutâneo. Marque a sua consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.
Fontes
- van Zuuren EJ, et al. Interventions for rosacea based on the phenotype approach: an updated systematic review including GRADE assessments. Br J Dermatol. 2019;181(1):65-79.
- Gallo RL, et al. Standard classification and pathophysiology of rosacea: The 2017 update by the National Rosacea Society Expert Committee. J Am Acad Dermatol. 2018;78(1):148-55.
- Schaller M, et al. Rosacea treatment update: recommendations from the global ROSacea COnsensus (ROSCO) panel. Br J Dermatol. 2017;176(2):465-71.
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Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.


