Sinais e melanoma: rastreio com dermoscopia
Quando avaliar sinais, regra ABCDE e dermoscopia para rastreio de cancro de pele. Consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.
Equipa do Instituto · · 3 min de leitura
Dermatologia Instituto Médico e Dentário Dra. Sara Martins, Paços de Ferreira

Nem todos os sinais são iguais. Saber distinguir uma lesão benigna de uma que merece dermoscopia é a primeira linha de defesa contra o melanoma, um dos cancros com pior prognóstico quando diagnosticado tardiamente, e um dos mais curáveis quando detetado cedo.
O que é a dermoscopia
A dermoscopia é uma técnica de observação ampliada da pele, usando luz polarizada e ampliação 10x a 20x. Permite ver estruturas que o olho nu não distingue, padrões pigmentares, vasos, glóbulos, redes, e classificar lesões com precisão muito superior ao exame visual simples. É o equivalente, em dermatologia, a auscultar com estetoscópio em medicina interna: não é opcional para diagnóstico de lesões pigmentadas.
Regra ABCDE: o que observar num sinal
Existe um critério clínico simples para identificar lesões suspeitas que justificam avaliação imediata:
- Assimetria, uma metade da lesão não corresponde à outra
- Bordos irregulares, recortados ou mal definidos
- Cor heterogénea, com várias tonalidades de castanho, preto, vermelho ou branco
- Diâmetro superior a 6 mm (mas melanomas mais pequenos também existem)
- Evolução: qualquer mudança de tamanho, cor, forma, ou comportamento (sangramento, prurido, crosta)
A presença de qualquer um destes critérios, em particular Evolução, é indicação para consulta dermatológica com dermoscopia.
Quem deve fazer rastreio regular
- Pessoas com história pessoal ou familiar de melanoma ou cancro de pele
- Fototipos I e II (pele clara, olhos claros, sardas, queimaduras solares fáceis)
- Quem tem mais de 50 sinais no corpo
- Histórico de queimaduras solares graves na infância ou exposição solar profissional intensa
- Imunossupressão (transplantados, doenças autoimunes em terapêutica)
- Adultos com mais de 50 anos com pele clara ou muita exposição ao sol ao longo da vida
Sem fatores de risco, não há indicação para uma consulta anual de rastreio: o essencial é conhecer os seus sinais e marcar consulta se algum mudar. Com fatores de risco (muitos sinais, sinais atípicos, melanoma na família ou antecedente pessoal), recomendamos vigilância regular com dermatoscopia, por vezes de 6 em 6 meses.
Como decorre uma consulta de rastreio
A consulta começa com história clínica detalhada (antecedentes pessoais, familiares, exposição solar, alterações notadas). Segue-se um exame visual da totalidade do tegumento, incluindo zonas frequentemente esquecidas: couro cabeludo, plantas dos pés, unhas, mucosas e pregas. Lesões suspeitas são examinadas com dermoscopia. Quando indicado, fotografamos lesões para mapeamento e seguimento, o que permite detetar mudanças subtis em consultas seguintes. Se houver dúvida diagnóstica, faz-se biópsia para análise histológica.
Quando procurar acompanhamento médico
Qualquer sinal novo após os 30 anos, qualquer mudança num sinal existente, ou a simples vontade de ter tranquilidade sobre o estado da sua pele justificam uma avaliação dermatológica. A consulta leva 20 a 30 minutos e esclarece as dúvidas; um melanoma apanhado cedo trata-se de forma muito mais simples. Marque a sua consulta de dermatologia em Paços de Ferreira.
Fontes
- Dinnes J, et al. Dermoscopy, with and without visual inspection, for diagnosing melanoma in adults. Cochrane Database Syst Rev. 2018;12(12):CD011902.
- Garbe C, et al. European consensus-based interdisciplinary guideline for melanoma. Part 1: Diagnostics - Update 2024. Eur J Cancer. 2025;215:115152.
- US Preventive Services Task Force. Screening for skin cancer: US Preventive Services Task Force recommendation statement. JAMA. 2023;329(15):1290-5.
- Gandini S, et al. Meta-analysis of risk factors for cutaneous melanoma: I. Common and atypical naevi. Eur J Cancer. 2005;41(1):28-44.
- Gandini S, et al. Meta-analysis of risk factors for cutaneous melanoma: III. Family history, actinic damage and phenotypic factors. Eur J Cancer. 2005;41(14):2040-59.
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Este artigo tem fins informativos e não substitui uma consulta. Cada caso é avaliado individualmente.


